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domingo, 24 de janeiro de 2016

O que Joy tem a nos ensinar

O que a sua versão criança diria para você, hoje, se vocês se encontrassem?

Refleti sobre isso ao assistir “Joy”, que está nos cinemas, com Jennifer Lawrence no papel da inventora  Joy Mangano. Acredito que todos devemos ter essa preocupação. Parar para ouvir os conselhos que nossa versão criança nos daria se nos encontrasse.
O que você fez com aquelas ideias? Por que não pensa mais nas suas invenções, nos bonecos que costumava desenhar, nas cabanas que construía e que ficavam bem mais caprichadas que as dos coleguinhas? O que aconteceu com a sua vontade de mudar o que estava errado, de melhorar aquilo de que não gostava?
Será que você está deixando a vida passar, e deixando passarem juntos os seus sonhos, seus delírios criativos que poderiam quem sabe se transformar em grandes projetos?
Será que desistiu de ser quem poderia ser, desistiu de querer mais, acomodou-se, esqueceu-se do seu talento, da sua chance de fazer diferente? Quais os “chamados” interiores que você não tem ouvido? Quais os seus dons que têm sido negligenciados? Você já pensou sobre isso?
Quando corremos atrás de um sonho, acreditamos nele ignorando os obstáculos que estejam aparecendo (eles sempre existem), colocamos foco no que queremos e depositamos toda a nossa força, criatividade, vontade naquele objetivo, nada no segura.

Não quis aqui entrar em detalhes do filme para não estragar a surpresa de quem assistirá. Mas foi essa a mensagem que ficou para mim após assistir à brilhante atuação de Jennifer neste longa inspirador. A história prende a atenção do início ao fim e muito nos ensina, de forma sutil, sobre o mundo dos negócios, a influência da mídia, a importância da persistência e da capacidade de resiliência e, ainda, sobre a humildade, o caráter e a coragem.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Não falem mal da rotina...

Eu amo ter uma rotina, ainda que seja para sair dela.

É sensacional sair para viajar e voltar para a nossa casa, nosso canto, largando as nossas malas onde tanto conhecemos. É revigorante voltar para casa também após um dia de trabalho. Saber para onde voltaremos, o que ou quem encontraremos lá, dá segurança, apoio, confiança, conforto para dormir mais uma noite, acordar para mais um dia.

Ter hora para acordar, e saber para onde ir. Saber o que fazer ao acordar, ter hora para os compromissos, tudo isso nos ensina como é bom não ter hora, poder ficar olhando pro teto, de pernas pro ar, de vez em quando. Ter uma vida cheia de tarefas e atividades ajuda a gente a ver como é maravilhoso não ter nada para fazer, poder ficar de bobeira.

Fazer todo dia mais ou menos as mesmas coisas pode ser surtante, mas também é gostoso, ainda mais se soubermos levar com leveza e criatividade. Não vale esperar para fazer o que a gente gosta nos fins de semana só. Escolher uma profissão e um trabalho de que gostemos ajuda a tornar feliz o momento de acordar, e a reduzir a tensão na hora de dormir. Tomar um vinho com uma amiga no meio da semana também. Ou ler um livro novo, tomar um café de outra marca, fazer uma comida com um pouco mais de pimenta, ver um filme surpreendente.

Tomar decisões também ajuda nisso. Tirar da nossa frente aquele chefe nada a ver, que só coloca a gente pra baixo, depois de muito tentarmos e vermos que desse jeito não rola, abre as portas para uma nova rotina, muita mais legal, mais rica, mais leve. Dar um ponto final num relacionamento complicado, pautado por brigas e discussões, é pontapé inicial para descobrir sozinho ou em nova companhia um novo cotidiano, cheio de novos prazeres, sensações, distrações.

Ouvimos tanto falar mal da rotina, mas a questão é o que faz parte dela, quem a gente traz para ela, o que ela representa para cada um. A rotina pode dar uma força para a saúde e os bons hábitos, pode reduzir a ansiedade, fazer a gente relaxar. Pode ser também uma vilã, se chata, insuportável, só feita de coisas chatas e insuportáveis. E pessoas idem.

A rotina, quando quebrada, precisa fazer a gente querer voltar pra ela. Rotina boa é rotina amada, rotina da qual a gente sente saudade. Rotina que pede para sairmos dela, mas nos espera de braços abertos.

domingo, 19 de abril de 2015

De escolhas vamos vivendo

Os que têm pena de si mesmos que me desculpem, mas assumir que estamos onde queremos estar é fundamental.

Depois dos trinta, o amadurecimento chega chegando, sem pensar. Invade e faz a gente parar com o nhém-nhém-nhém dos vinte e poucos. A nossa paciência para coisas chatas e que só atrasam a vida diminui de maneira impressionante. E, o que é mais legal: começamos a entender que estamos aonde fizemos por onde para estar. 

Se estamos casadas, provavelmente sonhamos com isso aos vinte, planejamos aos vinte e poucos, realizamos o sonho aos vinte e tantos. Se estamos bem no trabalho, ralamos muito, provavelmente nos dedicamos muito, estudamos, fizemos uma faculdade, uma pós. Se estamos dando aula, já conseguimos fazer um mestrado, uma especialização. Se temos filhos, em algum momento demos prioridade a tê-los, ou, ao menos, soubemos lidar quando vieram. Se temos tudo isso, conseguimos de alguma forma equilibrar a vida, nos dividir para multiplicar.

É importante ter essa noção para que consigamos entender o que nos falta e por quê. Acredito que fazer esse balanço e assumir essa posição ajuda a ver se estamos felizes, e o que podemos fazer para ficar mais felizes. Falo por mim. Passei por experiências recentes que me fizeram refletir sobre isso, e me mostraram de certa forma o óbvio: que, para viver o que vivo hoje, precisei viver o que vivi no passado. Já tive uma vida angustiada, em que a cada dia me via fazendo uma escolha errada, mas insistia nela. Escolhia isso a cada dia. Precisei esgotar, ir até o fim. Paciência.

O que importa é que de repente, ou melhor, aos poucos, mudei. E com isso a ansiedade diminuiu, e as coisas se encaixaram, e hoje entendo que o que ainda não tive na vida é porque não planejei, não quis de verdade, não fiz por onde. Não é culpa de ninguém, trata-se de uma escolha minha. Simplesmente isso. E tudo bem! Porque eu quis uma série de outras coisas, e porque conquistei diversas delas, e porque ainda há tempo - de certa forma, sempre há tempo para novas escolhas, bastando, para isso, haver um novo dia.

Essa sensação de pés fincados no chão não tem igual, e a sensatez intrínseca a ela nos permite viver mais em paz, nos amar mais, nos compreender melhor. Consequentemente, ajuda a amar uma outra pessoa, construir um relacionamento com ela, sendo transparente, justo, companheiro. Acho que cada um sabe mesmo a dor e a delícia de ser o que é, de estar onde está, de sonhar com o que sonha, de passar as dificuldades que passa e de sorrir quando elas acabam!


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Casa ou casamento?

O aluguel aumentou um pouco, trazendo a lembrança de que já tem um ano que estou na Casinha de Primeira que montei para mim.

Escrevo de um computador melhor do que o que usava quando me mudei. Naquela época, era impossível pensar em comprar computador novo: na minha cabeça e na conta bancária só havia espaço para móveis, objetos de decoração, acertos, consertos.

Transcorrido esse tempo, posso dizer que a relação com a casa se parece um pouco com a de qualquer outro relacionamento. Especialmente os que envolvem os casais. Esses costumam começar com empolgação, uma energia infinita para fazer coisas bacanas e também as que não são tão legais assim. A gente topa tudo, acha tudo ótimo, maravilhoso. Ela sai tarde do trabalho? Ele espera acordado - e cheiroso. Ele gosta muito de carros? Ela acha fofo e másculo. Ela fuma? Ele acha sexy. Ele é viciado em futebol? Ela gosta quando ele volta suado da pelada.

Meses depois, ele não aguenta mais esperá-la sair tarde do trabalho, e na verdade ão suporta mais aquela droga de vida que ela escolheu. Ela só trabalha, não tem tempo para mais nada. E o sexo esfria. E ela começa a achar que o vício dele em carros está extrapolando. Ele não devia estar poupando dinheiro para casar e ter uma vida melhor com ela, em vez de trocar o carro toda hora? Ele não aguenta mais a fumaça do cigarro dela e, pior ainda, o hálito. Ela passa a reclamar do futebol, e exige que ele tome banho imediatamente quando sai da pelada e cogita beijá-la.

Tá. Não é assim que está a minha relação com a minha casa, está bem melhor que isso, na verdade! Mas sabe aquela alegria de lavar banheiro que eu sentia nas primeiras vezes, porque afinal eu estava lavando um banheiro meu, só meu e de mais ninguém? Acabou. Quer lavar? Fica à vontade. É todo seu. Tá meio empoeirado? Tem uns cabelinhos no chão? Ah, já já eu tiro. Mas é claro que acabo lavando toda semana, que não sou porquinha. É só aquela vontadezinha... que não existe mais, rs.

Arrumar a cama se tornou tarefa útil apenas nos finais de semana, como era de se imaginar. Até curto arrumar a cama e chegar à noite e encontrar aquela caminha arrumadinha. Mas que tal o edredon dobrado como uma concha, do jeito que deixei pela manhã e da mesma forma pronto para outra noitada? Bate um bolão, hein? É que nem o marido barrigudinho: largadinho, mas confortável, gostoso, aconchegante. A cama arrumada, essa é como o cara com abdômen de tanquinho: gostosa, mas chata, exageradamente certinha, e ainda precisa ser desarrumada para ficar boa...

O armário está zoneadinho, mas tem mais a minha cara agora. Sei onde está cada coisa, mesmo na baguncinha. Arrumo de vez em quando. Armário bom é armário com nosso cheiro, nossas coisas, nossa cara. Ainda que tenhamos que abrir as portas dele para descobrir isso.

A louça na cozinha desistiu de ser ansiosa. Sabe esperar sua vez de ser acariciada com a esponja, e sabe que não adianta reclamar porque só vai rolar quando eu estiver a fim. Quando lavo, fico toda feliz. Mas até começar... nossa, que preguiça. Chego a deixar a água escorrer mais tempo sobre os pratos na esperança de que se autolimpem. E não é que às vezes isso praticamente acontece?

Parei de gastar dinheiro com presentinhos para a casa a todo momento. Ela não precisa de tantos badulaques para ficar bonita, porque já é linda e charmosa, mesmo sendo bem menor do que eu poderia desejar. É uma casa do tipo mignon. Quando dou presentes a ela, procuro pensar no que ela realmente precisa, pois ela ainda precisa de muitas coisas. Penso, penso e acabo investindo em algo essencial, necessário. Se não for a coisa mais bonita do mundo, pelo menos que seja prática e muito útil. Meio tipo pijama, sabe? A gente começa dormindo com uma camisola linda, lilás, transparente, com um elástico no peito que machuca mas deixa ele lindo. E acaba cedendo ao pijama velhinho, tão mais prático, tão mais confortável, tão mais tudo.

Apesar de tudo isso, amo minha casa cada vez mais, e pretendo construir com ela uma relação duradoura, onde quer que ela seja. E, para que além de durável seja estável e permaneça gostosa e leve, sei que preciso investir todo dia nessa relação, dando atenção à minha casinha, cuidando dela com carinho.

Casa é mesmo que nem casamento.









domingo, 1 de junho de 2014

Quem mora sozinho por último ri melhor

Muita gente me pergunta sobre como é morar sozinho(a)... qual o tamanho do perrengue (porque das coisas boas a maioria já sabe ou imagina... rs), ainda mais sendo no Rio de Janeiro, uma cidade MARAVILHOSAmente cara.

Bom, eu tenho este blog também para dar conselhos, se é que eles servem para algo, então vamos lá. Morar sozinho é caro pacas, dá um monte de despesas (na verdade é um investimento em bem-estar pessoal, rs) e exige uma boa organização financeira para que se mantenha a casa (literalmente) sempre em ordem. A cabeça fica mais organizada quando a casa está, pois uma coisa tem mais a ver com a outra do que se imagina.

Porém, pelo que a experiência tem me mostrado, mais importante que ter o orçamento mensal para pagar o aluguel, o condomínio, as contas de luz, gás, telefone, celular, internet, TV a cabo e o que mais você precisar, é fundamental ter uma poupança. Por menor que ela seja, ter alguns trocados guardados é uma segurança bacana para quem deixa o teto dos pais para trás para se aventurar de verdade na vida. Quando alguma coisa aperta, vai pedir grana para quem? O melhor é pedir "para si mesmo", certo? Melhor que fazer empréstimo em banco, criar dívida com amigos ou correr o risco de ter que voltar para a casa dos pais...

E, não se engane: emergências sempre, sempre vão rolar. A descarga do seu único banheiro para de funcionar, sua geladeira velhinha desmaia e você precisa ressuscitá-la, a máquina de lavar roupas pifa (ou nem existe, rs) e você precisa usar a lavanderia, alguma coisa quebra e tem que ser consertada, enfim. Sem falar que a despesa adicional pode ser com algo pessoal, como quando a gente resolve fazer um curso extra, uma viagem, algo fora do planejado.

Não é para desanimar ninguém, pelo contrário. Este blog é para apoiar o sonho da casa própria, ainda que a sua primeira moradia não seja exatamente "própria".

O fato é que quem mora sozinho tem que se apoiar, se incentivar, porque fácil não é, mas é bacana para caramba. E quem não mora sozinho, nunca morou, dificilmente vai entender.

- Como assim você não pode sair porque tem que lavar o banheiro? Não dá para lavar outra hora?
- Como assim você não pode ir ao cinema antes de passar aspirador de pó na casa?
- Por que você não tem toalha lavada em casa? A lavanderia é tão perto!
- Que geladeira mais vazia, custa ir ao mercado?

Pois é, mon cherie, é sozinho que o cara que mora sozinho faz tudo. Não tem ninguém além dele para fazer não, viu? Especialmente se for durango e não tiver empregada, faxineira, passadeira etc etc etc... Mas não se acanhe: a gente ri sozinho também ;p






domingo, 10 de novembro de 2013

As despesas e os sapatos, ou: Dançar para não dançar

Desde que fui morar by myself, as contas passaram todas a ser by myself também, é claro. E tenho procurado cada vez mais ficar OK com minhas finanças, porque odeio me descabelar com cifrões vermelhos na minha conta bancária.


Bom, não é fácil ficar bem com as despesas quando se cuida delas sozinho. A gente passa a ter uma casa, mas não deixa de ter uma vida! Não deixa de querer um tênis novo, uma camiseta bacana, um vestido, uns livros, um computador, um tablet... e por aí vai.

Bom, a não ser que seu salário seja algo bem fora do comum para este Brasilzão, ou que você tenha um provedor ou, por assim dizer, ajudante mensal com um salário desses, vai ter que começar a conjugar muito o verbo PRIORIZAR. É, só que desta vez é sério: se a gente gastar demais, mês que vem a coisa complica ainda mais, porque as contas têm dia certo para chegar e estão nem aí para quanto erramos no cálculo trinta dias antes.

Depois de muito comprar coisas de casa, resolvi dar uma parada nisso. E não é fácil, porque coisa de casa é simplesmente VICIANTE. Paguei as despesas pesadas de móveis e utensílios mais caros. Eu tinha dividido muita coisa no cartão. Essa é uma roubada legal para quem não se organiza: de vinte em vinte, pode acabar se enrolando com uma fatura mega-gigantesca no final. Então não adianta nada comprar sem ter a grana para pagar, ou fazer ao menos uma previsão.

Deu tudo certo, e resolvi então entrar nos sites onde havia objetos bacanas que eu não tinha podido comprar antes, para ver se agora já rolaria de chegar a vez deles. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com diversos desses itens de desejo  em promoção.  Valeu a pena esperar um pouco, a hora deles chegou e gastei bem menos do que teria gastado se desse vazão aos meus impulsos consumistas.


Também não fiquei sem comprar roupa nenhuma, ou sapatos - pragas (Pradas? Nem rola), no caso de nós, mulheres. Só que tenho que me controlar muito, mas muito mais. Por exemplo, chego na frente de uma vitrine, olho um sapato, penso: "Tenho que ter!". E no momento seguinte já penso: "Mas ele é tão parecido com aquele outro que tenho.. só que esse tem fecho-eclair, e outro não.."; e, no momento três: "Esquece. Não vou comprar. Quase nem uso o que tenho, mesmo, e que é parecido".

Alívio. Dou dez passos para longe da loja e me sinto leve como uma pena de rolinha. Começo a cantarolar. Sinto-me orgulhosa. Compro um sorvete, 50 vezes mais barato que o sapato. Penso que poderia comer cinquenta sorvetes. Tomar uns trinta chopes. Tudo com o preço daquele maldito sapato. Chego em casa feliz, já que não gastei nada além do que posso, e então deito a cabeça no travesseiro relaxada, explodindo de felicidade com meu autocontrole,  querendo contar para todo mundo que sou poderosa, super consciente e organizada com minhas finanças.

Acordo. Vou me arrumar para trabalhar. Volto a pensar no sapato. Por que não comprei? Olho para o par que julguei ser parecido com o da loja, na minha sapateira. Nada a ver. Onde estava com a cabeça? Quero aquele sapato. Coloco ele na lista. Aspirador de pó, conserto da cortina, adesivo de parede para a sala, cortador de queijo, uma panela nova para poder cozinhar duas coisas ao mesmo tempo... e SAPATO. INSANO. Vai para o final da fila. Vai ter que esperar chegar a vez dele. Não é prioridade.

Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade. Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade. Não é prioridade.

Repito como um mantra...












quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Morar sozinho: o melhor e o pior

Algumas das melhores coisas de morar sozinho...

1- Saber que sempre encontrará o pote de Nutella com a quantidade de Nutella que você deixou nele ao comer pela última vez (trocar pote de Nutella por qualquer outra guloseima pela qual você tenha grande apreço);



2- Protelar tarefas domésticas até o ponto em que você, e somente você, não aguente mais  tamanha zona e sujeira;

3- Decidir mudar tudo de lugar a qualquer hora do dia e da noite;

4- Receber quem você quer, a hora que bem entende, do jeito que quiser;

5- Poder andar pela casa pelado, com uma blusa velha e rasgada, só de calcinha ou de cueca;

6-Poder decidir tudo da decoração da casa;

7- Comer qualquer coisa, arroz de ontem, frango da semana passada etc e não ter ninguém para reclamar que falta algo na geladeira ou que a comida está ruim;

8- Chegar em casa a qualquer hora sem "ouvir" por isso;

9- Ter o armário e as estantes todinhos só para você;

 10- Não ter que se preocupar com qual roupa é sua e qual não é, quando elas vêm da lavanderia, já que tudo é seu mesmo.


... E algumas das piores...

...especialmente se você é solteir@...

1- Não ter ninguém para conversar se tiver insônia e ninguém para dar bom dia (no início, eu achava que enlouqueceria se demorasse mais de uma hora para ouvir minha voz pela primeira vez de manhã, não é à toa que sempre troco uma ideia com o porteiro ao descer - consigo me lembrar que não fiquei muda da noite para o dia!);

2- Não ter ninguém para dividir o pote de Nutella vendo filme na TV;



3- Não ter ninguém te esperando ansiosamente e com saudade, em casa;

4- Ter que fazer sua comida sozinho, sempre (e se não fizer, não come...);

5- Ter que carregar as compras pesadas do supermercado sozinho;

6- Ter que levar e buscar as roupas na lavanderia sozinho;

7- Ser sempre o que vai matar as baratas e abrir os potes;

8- Ter que se virar sozinho quando a descarga pifa, alguma coisa quebra ou dá errado...;

9- Cuidar de toda a limpeza da casa sozinho;

10 - Não ter como dividir o aluguel e as contas da casa com ninguém.


Você pode gostar também deste post:

Dicas de sobrevivência para morar sozinho



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Home Sweet Home

Mais importante que decorar a casa, colar adesivos nas paredes, arrumar os armários, ter almofadas fofas e tudo arrumadinho, é a sensação de se sentir em casa.

Sentir que aquele é nosso cantinho, com nossa energia, que deixamos armazenada nele quando dormimos, nos arrumamos para ir para o trabalho ou para uma festa, fazemos café, cozinhamos, tomamos banho, recebemos os amigos queridos, os pais, os irmãos, os familiares.

É em casa que ficam guardadas as sensações boas, e também é naquele lugar que chamamos de lar que podemos nos recuperar de sensações não tão boas, de momentos tensos, chorando lágrimas à vontade, deitando no chão, fechando a cortina, abrindo a janela, esparramando o corpo cansado na cama.

Durante alguns meses, na casa nova, minha primeira casa sozinha, eu entrava sorrateira, meio sem jeito, quase pedindo licença. Olhava o contrato de aluguel, via meu nome lá, coisa de adulto, de gente que cresceu de verdade. Sentava na cama, olhava pela janela, olhava para o teto, para as paredes. Pensava na vida, sentada no chão ainda sem poltrona, sem tapetes. Colocava objetos onde achava que ficariam bacanas, para no momento seguinte trocar tudo de lugar novamente.

Dormia agitada, demorava a pegar no sono. Levantava para ver se a porta estava mesmo trancada. Se tinha desligado o gás, o fogão, fechado a torneira, lavado a louça, recolhido o lixo. Se o telefone estava carregado para tocar de manhã e me acordar, porque se eu perdesse a hora não haveria ninguém para me chacoalhar. Ou para carinhosamente entrar no meu quarto e me incentivar a perder a preguiça e ir tomar café, como minha mãe fazia e eu jamais vou esquecer porque era de uma fofura sem igual.

Depois de alguns meses ainda como uma estranha no meu próprio ninho, tendo deixado para trás um cotidiano de farra da casa da família constantemente agitada - descendentes de italianos, já viu! - e ainda por cima convivendo com as dores, delícias e particularidades de ser uma canceriana (somos extremamente "família"... "mãezonas"...)... eu finalmente me sinto em casa.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sobre fazer companhia a si mesmo

Mudei-me para minha modesta casinha em junho deste ano, às vésperas do meu aniversário de 31 anos. Até o momento, posso dizer que morar sozinha é tudo que eu esperava. E, ao mesmo tempo, não é.

Uma casa traz - e isso é claro que eu já esperava - responsabilidades e "cargos administrativos", todos assumidos, neste caso, por uma única pessoa. Entre as incumbências estão manter a casa minimamente limpa e arrumada, a geladeira razoavelmente cheia, a louça lavada, o banheiro limpo, as contas pagas. Até aí, nenhuma surpresa, exceto pelos extras. É fundamental ter uma grana guardada para o que pinta sem a gente planejar. Um bombeiro que precisa ser chamado quando a descarga do único banheiro pifa, por exemplo.

Uma casa traz também alegrias - e essas eu já imaginava - que vão de poder convidar os amigos qualquer dia até ter o direito de desabar sozinho, no meio da sala, após encher a cara e dançar de forma esquizofrênica, sem ninguém para assistir (e nem para julgar ou mandar a gente parar). É um espaço para se fazer, basicamente, o que se quer, desde que não acabe com a vida dos vizinhos (e de preferência também não com a de si próprio, pois saber se cuidar também faz parte).

Da lista de obrigações listadas no parágrafo dois deste texto, pagar o aluguel e as contas é o único item que não se pode deixar de fazer, deliberadamente. A geladeira vazia e a casa suja são de inteira responsabilidade do inquilino, e quem habita um ninho mais ou menos decente é o mesmo ser que o bagunça ou se dá ao trabalho de mantê-lo apresentável.

O que talvez eu não soubesse, ou não tivesse ainda muita noção, é que casa vazia também dá solidão. Se soa dramático para você, é porque é um pouco dramático mesmo. Para quem está acostumado a casa cheia, que recebe seus moradores todos os dias com muita falação e alegria, está sempre aberta aos parentes mais agitados nas reuniões de família e conta com aquela comida que cheira por todos os cômodos enquanto é preparada, morar só pode ser bem difícil em certos momentos.

Para que dê certo, é fundamental saber conviver com si próprio. Ter ouvidos apurados para ouvir o silêncio, e não apenas suportá-lo. Aprender a aproveitar a convivência consigo mesmo. Lembrar de ligar um som ou assistir a um filme bacana. Apreciar um bom livro. Aventurar-se a um novo hobby como escrever, cozinhar, desenhar, pregar botões, plantar bananeira, ou o que quer que envolva apenas você mesmo e a sua disposição/vontade/intuição.

Ainda tenho dificuldade para conviver comigo mesma apenas, e me sinto às vezes perdida em casa, mesmo morando num espaço de 28 metros quadrados. Já limpei paredes por não ter "nada para fazer", após olhá-las fixamente por um tempo. Já cozinhei pratos que nem ia comer, e depois tive que congelar tudo. Já chorei porque me apareceu uma barata e eu já tinha dedetizado a casa e eu não sabia como matar aquele bicho sozinha no meio da madrugada (também fiquei me perguntando como é que ela tinha sobrevivido ao veneno da infalível Insetisan). Já ouvi todas as músicas do meu iPod. Leio um livro a cada três dias.

E nada, nada disso poderia ser dispensado.

Quero casar. Quero morar junto. Quero ter filhos. Quero uma casa cheinha, agitada e falante como a casa em que cresci. Quero até netos. Festas. Natais lotados. Ovos de Páscoa pela casa. Bolos que matam a gente de tão cheirosos. Quero ter uma família que eu eu que construí. Mas tenho consciência de que esta etapa pela qual estou passando, que me ensina a cada dia a conviver alegre e tranquilamente comigo mesma, a deixar de ser menina e virar mulher de vez, a enfrentar a vida com menos insegurança, é fundamental para que a etapa seguinte chegue bem e na hora certa.

Que morar sozinha seja um estágio do qual eu sempre me lembre com alegria, e me leve a ser uma mãe, filha, mulher, amiga e até uma profissional muito melhor (mas que isso não leve uma eternidade para acontecer, que ninguém é de ferro... e sou bem ansiosa!).






terça-feira, 3 de setembro de 2013

Morando sozinha e levando sustos

Outro dia levei o maior susto enquanto dormia, e depois morri de rir com a confusão toda (quando ela acabou, claro).

Estava morrendo de sono no último domingo, e dormi desabada na minha cama, no fim da tarde. Fui acordada por barulhos intensos de água jorrando forte, e coisas caindo e quebrando. Não fazia ideia de onde poderiam estar vindo. Sonolenta, voltava a dormir. E assim fiz uma meia dúzia de vezes...

Até que resolvi pegar água na geladeira e- surpresa! - era ela a responsável pela série de barulhos estranhos e aquáticos. A geladeira estava descongelando sozinha.

Bom, na verdade não foi sozinha. É que na véspera, ou seja, sábado à noite, uma amiga tinha estado lá em casa e enchemos a cara de vinho. Depois, sem imaginar o que estaria causando, a luz da geladeira apagou (provavelmente por um mau contato) e eu tasquei a mão num botão azul, onde estava escrito com letras minúsculas: PUSH TO DEFROST. E ali começou o processo de descongelamento, que duraria 24h...

Bom, tudo teria corrido bem se eu não tivesse deixado a casa no sábado à noite para ir pra casa do meu namorado. e a geladeira lá, descongelando.. e molhando o chão.

Conclusão: geladeiras que não são frost free, e sim cycle defrost, como a minha, exigem cuidados especiais. Mas também não dão tanto trabalho como eu pensava que poderiam dar. Basta prestar atenção e não apertar o botão de descongelar assim, sem mais nem menos, como a doida aqui fez.



Para quem não conhece, as geladeiras do tipo cycle defrost podem ser menores e menos profundas que as frost free, pois não precisam de um espaço tão grande na parte de trás para o sistema funcionar. Gastam menos energia, ocupam menos espaço, mas exigem que as descongelemos ao menos uma vez a cada seis meses, enquanto as frost free não requerem trabalho nenhum com isso.



A minha é uma Samsung vermelha, que tem espaço exato para a comida, bebida e congelados de que preciso. Ela é linda e funcional. Como fica na sala, precisava ser bonita e não muito gigantesca, então foi perfeita. Agora, já sei que basta ter o cuidado de colocar uma toalha embaixo dela quando for descongelá-la (porque ela tem uma espécie de recipiente para água que vai enchendo, à medida que o gelo vira água, e é importante ir tirando esse gelo para o recipiente não transbordar). De resto, ela é bem prática e econômica.

Boa sorte a todos que forem escolher sua primeira geladeira! :)