sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Home Sweet Home

Mais importante que decorar a casa, colar adesivos nas paredes, arrumar os armários, ter almofadas fofas e tudo arrumadinho, é a sensação de se sentir em casa.

Sentir que aquele é nosso cantinho, com nossa energia, que deixamos armazenada nele quando dormimos, nos arrumamos para ir para o trabalho ou para uma festa, fazemos café, cozinhamos, tomamos banho, recebemos os amigos queridos, os pais, os irmãos, os familiares.

É em casa que ficam guardadas as sensações boas, e também é naquele lugar que chamamos de lar que podemos nos recuperar de sensações não tão boas, de momentos tensos, chorando lágrimas à vontade, deitando no chão, fechando a cortina, abrindo a janela, esparramando o corpo cansado na cama.

Durante alguns meses, na casa nova, minha primeira casa sozinha, eu entrava sorrateira, meio sem jeito, quase pedindo licença. Olhava o contrato de aluguel, via meu nome lá, coisa de adulto, de gente que cresceu de verdade. Sentava na cama, olhava pela janela, olhava para o teto, para as paredes. Pensava na vida, sentada no chão ainda sem poltrona, sem tapetes. Colocava objetos onde achava que ficariam bacanas, para no momento seguinte trocar tudo de lugar novamente.

Dormia agitada, demorava a pegar no sono. Levantava para ver se a porta estava mesmo trancada. Se tinha desligado o gás, o fogão, fechado a torneira, lavado a louça, recolhido o lixo. Se o telefone estava carregado para tocar de manhã e me acordar, porque se eu perdesse a hora não haveria ninguém para me chacoalhar. Ou para carinhosamente entrar no meu quarto e me incentivar a perder a preguiça e ir tomar café, como minha mãe fazia e eu jamais vou esquecer porque era de uma fofura sem igual.

Depois de alguns meses ainda como uma estranha no meu próprio ninho, tendo deixado para trás um cotidiano de farra da casa da família constantemente agitada - descendentes de italianos, já viu! - e ainda por cima convivendo com as dores, delícias e particularidades de ser uma canceriana (somos extremamente "família"... "mãezonas"...)... eu finalmente me sinto em casa.



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