terça-feira, 9 de junho de 2015

Não falem mal da rotina...

Eu amo ter uma rotina, ainda que seja para sair dela.

É sensacional sair para viajar e voltar para a nossa casa, nosso canto, largando as nossas malas onde tanto conhecemos. É revigorante voltar para casa também após um dia de trabalho. Saber para onde voltaremos, o que ou quem encontraremos lá, dá segurança, apoio, confiança, conforto para dormir mais uma noite, acordar para mais um dia.

Ter hora para acordar, e saber para onde ir. Saber o que fazer ao acordar, ter hora para os compromissos, tudo isso nos ensina como é bom não ter hora, poder ficar olhando pro teto, de pernas pro ar, de vez em quando. Ter uma vida cheia de tarefas e atividades ajuda a gente a ver como é maravilhoso não ter nada para fazer, poder ficar de bobeira.

Fazer todo dia mais ou menos as mesmas coisas pode ser surtante, mas também é gostoso, ainda mais se soubermos levar com leveza e criatividade. Não vale esperar para fazer o que a gente gosta nos fins de semana só. Escolher uma profissão e um trabalho de que gostemos ajuda a tornar feliz o momento de acordar, e a reduzir a tensão na hora de dormir. Tomar um vinho com uma amiga no meio da semana também. Ou ler um livro novo, tomar um café de outra marca, fazer uma comida com um pouco mais de pimenta, ver um filme surpreendente.

Tomar decisões também ajuda nisso. Tirar da nossa frente aquele chefe nada a ver, que só coloca a gente pra baixo, depois de muito tentarmos e vermos que desse jeito não rola, abre as portas para uma nova rotina, muita mais legal, mais rica, mais leve. Dar um ponto final num relacionamento complicado, pautado por brigas e discussões, é pontapé inicial para descobrir sozinho ou em nova companhia um novo cotidiano, cheio de novos prazeres, sensações, distrações.

Ouvimos tanto falar mal da rotina, mas a questão é o que faz parte dela, quem a gente traz para ela, o que ela representa para cada um. A rotina pode dar uma força para a saúde e os bons hábitos, pode reduzir a ansiedade, fazer a gente relaxar. Pode ser também uma vilã, se chata, insuportável, só feita de coisas chatas e insuportáveis. E pessoas idem.

A rotina, quando quebrada, precisa fazer a gente querer voltar pra ela. Rotina boa é rotina amada, rotina da qual a gente sente saudade. Rotina que pede para sairmos dela, mas nos espera de braços abertos.