domingo, 10 de novembro de 2013

As despesas e os sapatos, ou: Dançar para não dançar

Desde que fui morar by myself, as contas passaram todas a ser by myself também, é claro. E tenho procurado cada vez mais ficar OK com minhas finanças, porque odeio me descabelar com cifrões vermelhos na minha conta bancária.


Bom, não é fácil ficar bem com as despesas quando se cuida delas sozinho. A gente passa a ter uma casa, mas não deixa de ter uma vida! Não deixa de querer um tênis novo, uma camiseta bacana, um vestido, uns livros, um computador, um tablet... e por aí vai.

Bom, a não ser que seu salário seja algo bem fora do comum para este Brasilzão, ou que você tenha um provedor ou, por assim dizer, ajudante mensal com um salário desses, vai ter que começar a conjugar muito o verbo PRIORIZAR. É, só que desta vez é sério: se a gente gastar demais, mês que vem a coisa complica ainda mais, porque as contas têm dia certo para chegar e estão nem aí para quanto erramos no cálculo trinta dias antes.

Depois de muito comprar coisas de casa, resolvi dar uma parada nisso. E não é fácil, porque coisa de casa é simplesmente VICIANTE. Paguei as despesas pesadas de móveis e utensílios mais caros. Eu tinha dividido muita coisa no cartão. Essa é uma roubada legal para quem não se organiza: de vinte em vinte, pode acabar se enrolando com uma fatura mega-gigantesca no final. Então não adianta nada comprar sem ter a grana para pagar, ou fazer ao menos uma previsão.

Deu tudo certo, e resolvi então entrar nos sites onde havia objetos bacanas que eu não tinha podido comprar antes, para ver se agora já rolaria de chegar a vez deles. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com diversos desses itens de desejo  em promoção.  Valeu a pena esperar um pouco, a hora deles chegou e gastei bem menos do que teria gastado se desse vazão aos meus impulsos consumistas.


Também não fiquei sem comprar roupa nenhuma, ou sapatos - pragas (Pradas? Nem rola), no caso de nós, mulheres. Só que tenho que me controlar muito, mas muito mais. Por exemplo, chego na frente de uma vitrine, olho um sapato, penso: "Tenho que ter!". E no momento seguinte já penso: "Mas ele é tão parecido com aquele outro que tenho.. só que esse tem fecho-eclair, e outro não.."; e, no momento três: "Esquece. Não vou comprar. Quase nem uso o que tenho, mesmo, e que é parecido".

Alívio. Dou dez passos para longe da loja e me sinto leve como uma pena de rolinha. Começo a cantarolar. Sinto-me orgulhosa. Compro um sorvete, 50 vezes mais barato que o sapato. Penso que poderia comer cinquenta sorvetes. Tomar uns trinta chopes. Tudo com o preço daquele maldito sapato. Chego em casa feliz, já que não gastei nada além do que posso, e então deito a cabeça no travesseiro relaxada, explodindo de felicidade com meu autocontrole,  querendo contar para todo mundo que sou poderosa, super consciente e organizada com minhas finanças.

Acordo. Vou me arrumar para trabalhar. Volto a pensar no sapato. Por que não comprei? Olho para o par que julguei ser parecido com o da loja, na minha sapateira. Nada a ver. Onde estava com a cabeça? Quero aquele sapato. Coloco ele na lista. Aspirador de pó, conserto da cortina, adesivo de parede para a sala, cortador de queijo, uma panela nova para poder cozinhar duas coisas ao mesmo tempo... e SAPATO. INSANO. Vai para o final da fila. Vai ter que esperar chegar a vez dele. Não é prioridade.

Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade. Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade. Não é prioridade.

Repito como um mantra...












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