domingo, 19 de abril de 2015

De escolhas vamos vivendo

Os que têm pena de si mesmos que me desculpem, mas assumir que estamos onde queremos estar é fundamental.

Depois dos trinta, o amadurecimento chega chegando, sem pensar. Invade e faz a gente parar com o nhém-nhém-nhém dos vinte e poucos. A nossa paciência para coisas chatas e que só atrasam a vida diminui de maneira impressionante. E, o que é mais legal: começamos a entender que estamos aonde fizemos por onde para estar. 

Se estamos casadas, provavelmente sonhamos com isso aos vinte, planejamos aos vinte e poucos, realizamos o sonho aos vinte e tantos. Se estamos bem no trabalho, ralamos muito, provavelmente nos dedicamos muito, estudamos, fizemos uma faculdade, uma pós. Se estamos dando aula, já conseguimos fazer um mestrado, uma especialização. Se temos filhos, em algum momento demos prioridade a tê-los, ou, ao menos, soubemos lidar quando vieram. Se temos tudo isso, conseguimos de alguma forma equilibrar a vida, nos dividir para multiplicar.

É importante ter essa noção para que consigamos entender o que nos falta e por quê. Acredito que fazer esse balanço e assumir essa posição ajuda a ver se estamos felizes, e o que podemos fazer para ficar mais felizes. Falo por mim. Passei por experiências recentes que me fizeram refletir sobre isso, e me mostraram de certa forma o óbvio: que, para viver o que vivo hoje, precisei viver o que vivi no passado. Já tive uma vida angustiada, em que a cada dia me via fazendo uma escolha errada, mas insistia nela. Escolhia isso a cada dia. Precisei esgotar, ir até o fim. Paciência.

O que importa é que de repente, ou melhor, aos poucos, mudei. E com isso a ansiedade diminuiu, e as coisas se encaixaram, e hoje entendo que o que ainda não tive na vida é porque não planejei, não quis de verdade, não fiz por onde. Não é culpa de ninguém, trata-se de uma escolha minha. Simplesmente isso. E tudo bem! Porque eu quis uma série de outras coisas, e porque conquistei diversas delas, e porque ainda há tempo - de certa forma, sempre há tempo para novas escolhas, bastando, para isso, haver um novo dia.

Essa sensação de pés fincados no chão não tem igual, e a sensatez intrínseca a ela nos permite viver mais em paz, nos amar mais, nos compreender melhor. Consequentemente, ajuda a amar uma outra pessoa, construir um relacionamento com ela, sendo transparente, justo, companheiro. Acho que cada um sabe mesmo a dor e a delícia de ser o que é, de estar onde está, de sonhar com o que sonha, de passar as dificuldades que passa e de sorrir quando elas acabam!


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