terça-feira, 19 de novembro de 2013

Delírios de quem mora só... ou assombração?

Um dia desses, ouvi pessoas arrastando móveis enfurecidamente, como se estivessem com muita raiva do lugar que eles estavam ocupando na casa e bastante ansiosas para mudá-los de posição. Era madrugada, e eu tentava dormir em vão, entre ruídos característicos daquele vai e vem de pés de cadeiras, mesas e estantes desprovidos de feltro, protagonizados por vizinhos desprovidos de educação, bom senso e amor ao próximo. É muita falta de ideia fazer isso sem pensar que os pobres coitados do andar de baixo precisam dormir para acordar cedo e labutar.

Mas ainda que estivesse pensando isso deles, pensei também que podiam estar apenas felizes com o novo endereço, e querendo arrumar tudo logo, para a casa parecer mais casa e menos um repositório sem fim de caixas. Lembrei como me senti assim quando me mudei, como queria que tudo ficasse nos eixos logo para que eu pudesse então saber onde estavam minhas blusas, meu biquíni, meu sapato vermelho, o livro que estava lendo antes de começar aquela confusão chamada mudança.

Pensei que podiam ser um casal feliz, recém-casado, começando uma vida compartilhada, num apezinho do tamanho do meu, em que seriam obrigados a conviver bem de perto e, se inteligentes fossem, fariam de tudo para se dar muito bem, porque não há solução temporária de dormir em quarto separado quando se divide um conjugadinho.

Pensei que podiam ser mãe e filha, a mãe animada e orgulhosa da independência conquistada pela filha com a casa nova, as duas entusiasmadas querendo ver os pratos arrumados na cozinha, a cama posicionada da melhor forma, o armário com todas as roupas penduradas, a cômoda que era da avó bem limpinha, os sapatos na sapateira, os livros nas estantes. Tudo isso tagarelando e trocando dicas de tudo quanto é assunto de mulheres, como eu e minha mãe fizemos muita vezes quando me mudei e até hoje fazemos.

Podia ser também um vizinho sozinho, solitário ou não, a se aventurar pelo mundo da morada de um só, e perdido naquele espaço de 30m2 que podia estar até parecendo grande demais para ele, para sua mala de rodinhas com meia dúzia de roupas, sua cama velha, seu sofá pequeno, suas caixas de miudezas.

No dia seguinte, após finalmente dormir um pouco e acordar querendo dormir mais, quis saber quem afinal era o novo vizinho, e para isso fui perguntar ao porteiro.

- Não tem ninguém morando no 1201, não, senhora.

Durma-se com um barulho desses...





quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Piscinas! Porque muita água ainda vai rolar...

Depois de anos a fio fazendo musculação em academias, descobri uma nova paixão no mundo dos exercícios físicos: a natação.

Desde o início deste ano, não consigo ficar sem minhas braçadinhas semanais na piscina, que ajudam a manter minhas alergias menos espivitadas, meu corpo mais leve e ainda contribuem para deixar a cabeça em ordem (mesmo que seja a ordem do caos, eu juro que melhora!).

É nesta piscina que eu nado
É engraçado como tudo o que começamos a praticar, a fazer no nosso dia a dia começa a fazer parte dos nossos sonhos. Tenho sonhado demais que estou nadando, nadando, de uma borda à outra da piscina, no mar, em rios... e às vezes sonho acordada também, pensando como seria bom ter uma piscina em casa.

Foi no meio de devaneio desses que pesquisei estas piscinas maravilhosas na internet, e resolvi postar as fotos aqui, para a gente se divertir um pouco. Porque sonhar é de graça e não traz contraindicações. Quem sabe um dia terei uma dessas! Desejo o mesmo para vocês, além de um excelente feriado :D












domingo, 10 de novembro de 2013

As despesas e os sapatos, ou: Dançar para não dançar

Desde que fui morar by myself, as contas passaram todas a ser by myself também, é claro. E tenho procurado cada vez mais ficar OK com minhas finanças, porque odeio me descabelar com cifrões vermelhos na minha conta bancária.


Bom, não é fácil ficar bem com as despesas quando se cuida delas sozinho. A gente passa a ter uma casa, mas não deixa de ter uma vida! Não deixa de querer um tênis novo, uma camiseta bacana, um vestido, uns livros, um computador, um tablet... e por aí vai.

Bom, a não ser que seu salário seja algo bem fora do comum para este Brasilzão, ou que você tenha um provedor ou, por assim dizer, ajudante mensal com um salário desses, vai ter que começar a conjugar muito o verbo PRIORIZAR. É, só que desta vez é sério: se a gente gastar demais, mês que vem a coisa complica ainda mais, porque as contas têm dia certo para chegar e estão nem aí para quanto erramos no cálculo trinta dias antes.

Depois de muito comprar coisas de casa, resolvi dar uma parada nisso. E não é fácil, porque coisa de casa é simplesmente VICIANTE. Paguei as despesas pesadas de móveis e utensílios mais caros. Eu tinha dividido muita coisa no cartão. Essa é uma roubada legal para quem não se organiza: de vinte em vinte, pode acabar se enrolando com uma fatura mega-gigantesca no final. Então não adianta nada comprar sem ter a grana para pagar, ou fazer ao menos uma previsão.

Deu tudo certo, e resolvi então entrar nos sites onde havia objetos bacanas que eu não tinha podido comprar antes, para ver se agora já rolaria de chegar a vez deles. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com diversos desses itens de desejo  em promoção.  Valeu a pena esperar um pouco, a hora deles chegou e gastei bem menos do que teria gastado se desse vazão aos meus impulsos consumistas.


Também não fiquei sem comprar roupa nenhuma, ou sapatos - pragas (Pradas? Nem rola), no caso de nós, mulheres. Só que tenho que me controlar muito, mas muito mais. Por exemplo, chego na frente de uma vitrine, olho um sapato, penso: "Tenho que ter!". E no momento seguinte já penso: "Mas ele é tão parecido com aquele outro que tenho.. só que esse tem fecho-eclair, e outro não.."; e, no momento três: "Esquece. Não vou comprar. Quase nem uso o que tenho, mesmo, e que é parecido".

Alívio. Dou dez passos para longe da loja e me sinto leve como uma pena de rolinha. Começo a cantarolar. Sinto-me orgulhosa. Compro um sorvete, 50 vezes mais barato que o sapato. Penso que poderia comer cinquenta sorvetes. Tomar uns trinta chopes. Tudo com o preço daquele maldito sapato. Chego em casa feliz, já que não gastei nada além do que posso, e então deito a cabeça no travesseiro relaxada, explodindo de felicidade com meu autocontrole,  querendo contar para todo mundo que sou poderosa, super consciente e organizada com minhas finanças.

Acordo. Vou me arrumar para trabalhar. Volto a pensar no sapato. Por que não comprei? Olho para o par que julguei ser parecido com o da loja, na minha sapateira. Nada a ver. Onde estava com a cabeça? Quero aquele sapato. Coloco ele na lista. Aspirador de pó, conserto da cortina, adesivo de parede para a sala, cortador de queijo, uma panela nova para poder cozinhar duas coisas ao mesmo tempo... e SAPATO. INSANO. Vai para o final da fila. Vai ter que esperar chegar a vez dele. Não é prioridade.

Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade. Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade.  Não é prioridade. Não é prioridade.

Repito como um mantra...












quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Adesivos dão toque na decoração

Andei pesquisando adesivos para paredes na internet, e achei sites ótimos, com adesivos bem bacanas. Mas estava meio "cabreira" em relação a eles : como será que colam? Será que são práticos? Será que "funcionam" mesmo?

Resolvi, para começar, comprar uns adesivos para tapar uns buraquinhos nas paredes do meu apto, deixados por coisas que desaparafusei da parede. Encomendei uma cartela de flores amarelas, que escolhi pela internet, no site BemColar. Eu ainda não conhecia o site, encontrei por acaso navegando pela Web mesmo.

Eles custaram até barato - cerca de 30 reais a cartela - e chegaram em poucos dias. Quando os recebi, observei que não seria possível colá-los nas paredes que eu queria cobrir porque elas estavam irregulares, e eles não servem para superfícies que não sejam lisas.

Mas logo, logo arrumei uma outra função bem mais interessante para os adesivinhos: enfeitar o antigo armário da cozinha, de uma fórmica branca já velhinha, que já estava no apê quando me mudei para ele.

Comecei colando uma florzinha, para testar... depois mais uma... e, quando me dei conta, tinha ganhado um armário novo! E fui fazendo tudo tão rápido que até esqueci de tirar uma foto das portas ainda branquinhas e "peladinhas" para fazer o "antes e depois"! Mas o armário "repaginado" está aí:



 E ainda fiz uma graça com o interruptor da cozinha, cortando um dos adesivos...



Continuo agora pensando em adesivos maiores, mas ainda não consegui decidir se vão ficar bem num ambiente pequeno. E eles também são mais caros e um pouco mais complicados de aplicar. Acho que teria que ser um adesivo que desse apenas um toque, como fiz com o armário, pois lugares pequenos ficam "abafados" com muitos elementos decorativos ao mesmo tempo. Quando eu decidir, posto aqui no blog também. 





quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Morar sozinho: o melhor e o pior

Algumas das melhores coisas de morar sozinho...

1- Saber que sempre encontrará o pote de Nutella com a quantidade de Nutella que você deixou nele ao comer pela última vez (trocar pote de Nutella por qualquer outra guloseima pela qual você tenha grande apreço);



2- Protelar tarefas domésticas até o ponto em que você, e somente você, não aguente mais  tamanha zona e sujeira;

3- Decidir mudar tudo de lugar a qualquer hora do dia e da noite;

4- Receber quem você quer, a hora que bem entende, do jeito que quiser;

5- Poder andar pela casa pelado, com uma blusa velha e rasgada, só de calcinha ou de cueca;

6-Poder decidir tudo da decoração da casa;

7- Comer qualquer coisa, arroz de ontem, frango da semana passada etc e não ter ninguém para reclamar que falta algo na geladeira ou que a comida está ruim;

8- Chegar em casa a qualquer hora sem "ouvir" por isso;

9- Ter o armário e as estantes todinhos só para você;

 10- Não ter que se preocupar com qual roupa é sua e qual não é, quando elas vêm da lavanderia, já que tudo é seu mesmo.


... E algumas das piores...

...especialmente se você é solteir@...

1- Não ter ninguém para conversar se tiver insônia e ninguém para dar bom dia (no início, eu achava que enlouqueceria se demorasse mais de uma hora para ouvir minha voz pela primeira vez de manhã, não é à toa que sempre troco uma ideia com o porteiro ao descer - consigo me lembrar que não fiquei muda da noite para o dia!);

2- Não ter ninguém para dividir o pote de Nutella vendo filme na TV;



3- Não ter ninguém te esperando ansiosamente e com saudade, em casa;

4- Ter que fazer sua comida sozinho, sempre (e se não fizer, não come...);

5- Ter que carregar as compras pesadas do supermercado sozinho;

6- Ter que levar e buscar as roupas na lavanderia sozinho;

7- Ser sempre o que vai matar as baratas e abrir os potes;

8- Ter que se virar sozinho quando a descarga pifa, alguma coisa quebra ou dá errado...;

9- Cuidar de toda a limpeza da casa sozinho;

10 - Não ter como dividir o aluguel e as contas da casa com ninguém.


Você pode gostar também deste post:

Dicas de sobrevivência para morar sozinho



Relógios!

Eles têm a função de informar as horas, mas para mim vão bem mais além. Os relógios sempre me fascinaram...

Aliás, pouco me importa se um relógio está "certo" ou não: na minha opinião, ele sempre está certo para a decoração de um lugar, para o pulso de alguém, uma parede...! Quanto mais relógios, melhor!

Relógio que serve estritamente para informar as horas é relógio de celular, de rádio despertador, relógio digital. Os que têm ponteiros são lindos e tornam qualquer ambiente mágico. Talvez esse clima seja por serem cheios de engrenagens, segredos, pecinhas que se encaixam e giram juntas sem parar. Os relógios são os grandes representantes do tempo, tema que traz sempre à tona tantas reflexões.

Em meio a essa minha paixão, descobri recentemente os relógios de parede de dupla face que imitam relógios antigos, de estações de trem e metrô, como este, da estação de Waterloo, em Londres (eu tinha que falar de Londres! rs).



E existem em vários modelos. Achei muitos no Mercado Livre, e comprei um para mim lá (neste link). Estou completamente apaixonada por ele. É lindo e chegou super rápido e bem embalado.

Este é o que eu comprei!!
 

O bom é que esses relógios são capazes de trazer um clima romântico, misterioso e diferente à casa, sem custarem o tanto que custa uma antiguidade. E se você não quer ficar sendo lembrado das horas o tempo todo, basta deixá-los sem pilhas, apenas como enfeites. Ou que tal colocar as horas de alguma cidade distante, que você tenha gostado de visitar? :p








terça-feira, 5 de novembro de 2013

Eletrodomésticos modernos e incríveis! Parte I...

Bom, eu trabalho com Tecnologia, então.. eletrodomésticos inteligentes, bonitos e práticos estão sempre na minha mira! E, com essa coisa de cuidar da casa, hoje me chamam mais a atenção os aparelhos que ajudam nas tarefas domésticas do que excelentes celulares e computadores.

Quando a gente acha que ainda falta inventar alguma coisa, quase sempre ela na verdade já foi inventada e já existe na casa de várias pessoas, mas infelizmente na nossa ainda não =(

Este é o caso da magnífica, incrível e portabilíssima máquina de lavar de 3kg que a Electrolux criou. É de pirar... e não, este não é um post pago... é apenas um post de uma blogueira que sonha com uma casa pequena, mas equipada!!

Quando estava procurando apartamento, tive que optar por um que tinha várias qualidades, mas faltava o espaço e a instalação para máquina de lavar. É óbvio que isso me faz ir e voltar da lavanderia carregando quilos de roupas, e entregar saquinhos à minha mãe volta e meia, pedindo encarecidamente que lave algumas peças para mim!

O engraçado é que, nesse vaivém de roupas, eu nunca sei onde estão certas calças, casacos e vestidos, de modo que manter a forma se torna ainda mais essencial: afinal, tenho que ficar bem com as roupas que estão disponíveis no armário quando vou me arrumar, e não com as roupas exatas que quero usar, rs.

Vejam só a danadinha da máquina de 3kg. Ainda é mais cara que a média, custa em torno de 1500 a 1600 reais.Geralmente as belezinhas tecnológicas são mais caras mesmo, né...

Não sei se existem outras. Mas se souberem podem escrever nos comentários ;)




sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Home Sweet Home

Mais importante que decorar a casa, colar adesivos nas paredes, arrumar os armários, ter almofadas fofas e tudo arrumadinho, é a sensação de se sentir em casa.

Sentir que aquele é nosso cantinho, com nossa energia, que deixamos armazenada nele quando dormimos, nos arrumamos para ir para o trabalho ou para uma festa, fazemos café, cozinhamos, tomamos banho, recebemos os amigos queridos, os pais, os irmãos, os familiares.

É em casa que ficam guardadas as sensações boas, e também é naquele lugar que chamamos de lar que podemos nos recuperar de sensações não tão boas, de momentos tensos, chorando lágrimas à vontade, deitando no chão, fechando a cortina, abrindo a janela, esparramando o corpo cansado na cama.

Durante alguns meses, na casa nova, minha primeira casa sozinha, eu entrava sorrateira, meio sem jeito, quase pedindo licença. Olhava o contrato de aluguel, via meu nome lá, coisa de adulto, de gente que cresceu de verdade. Sentava na cama, olhava pela janela, olhava para o teto, para as paredes. Pensava na vida, sentada no chão ainda sem poltrona, sem tapetes. Colocava objetos onde achava que ficariam bacanas, para no momento seguinte trocar tudo de lugar novamente.

Dormia agitada, demorava a pegar no sono. Levantava para ver se a porta estava mesmo trancada. Se tinha desligado o gás, o fogão, fechado a torneira, lavado a louça, recolhido o lixo. Se o telefone estava carregado para tocar de manhã e me acordar, porque se eu perdesse a hora não haveria ninguém para me chacoalhar. Ou para carinhosamente entrar no meu quarto e me incentivar a perder a preguiça e ir tomar café, como minha mãe fazia e eu jamais vou esquecer porque era de uma fofura sem igual.

Depois de alguns meses ainda como uma estranha no meu próprio ninho, tendo deixado para trás um cotidiano de farra da casa da família constantemente agitada - descendentes de italianos, já viu! - e ainda por cima convivendo com as dores, delícias e particularidades de ser uma canceriana (somos extremamente "família"... "mãezonas"...)... eu finalmente me sinto em casa.