sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Reflexão sobre os Correios

Fui na hora do almoço desta sexta-feira postar uma coisa nos Correios: comprei algo pela internet que não deu certo, e precisei devolver. Uma ação tão antiga, ligada a outra tão moderna.

A lojinha antiga, sem ar condicionado, super simples, com três funcionários, tem por trás uma instituição com uma história de 350 anos (desde 25/1/1663) - que os Correios completam amanhã - de tradição, vaivéns e, o mais incrível, uma força inabalável.

Afinal, por mais que o mundo evolua, as compras sejam feitas de um modo diferente, a comunicação se dê por milhares de novos meios, os pagamentos tenham diversas possibilidades, enviar algo para alguém depende dos Correios. E, enquanto houver humanidade, sempre haverá essas trocas: de livros, de objetos, de afagos, de compras que não funcionaram, de compras que funcionaram, de cartas - por que não, tem quem ainda as escreve! A última que recebi foi há cinco anos, nem tem tanto tempo ;) - e, claro, de contas a pagar, faturas de cartão e extratos.

Talvez ainda haja cartões postais sendo enviados por pessoas que não estão viciadas no Instagram nem no Facebook - e que são tradicionalmente vanguardistas, se preocupam com um conteúdo personalizado de acordo com quem recebe, coisa que a internet tenta fazer desde que se ganhou o título de 2.0...

Os funcionários pareciam orgulhosos quando comentei com eles sobre essa reflexão, que passou pela minha cabeça no momento em que um senhor de 50 anos de casa embalava os objetos que eu precisava enviar. Um entregador observava e participava da nossa conversa, feliz, só reclamando do calor. De repente, comentei que trabalhava no Globo, quando entreguei uma nota de dois reais e quatro moedas de quarenta centavos para pagar a embalagem - e as moedas estavam ainda geladas do ar condicionado do jornal. Só aí o entregador falou: "Eu queria ser chique e trabalhar no Globo também".

É, não deve ser mole sair entregando cartas e encomendas por aí nesse calorão.