(ESTE POST É SEM FOTO POR MOTIVOS ÓBVIOS, CONTO COM A COMPREENSÃO DE TODOS!)
Pois é. Dessa, é difícil escapar morando só: matar barata.
A lição está entre as mais recorrentes de quem vai morar sozinho. E entre as mais traumáticas também, geralmente. Para nós, mulheres independentes e donas de seus próprios tetos, a coisa piora ainda mais.
A primeira barata (baratão mesmo, cascuda que só) eu enfrentei quando ainda estava de mudança para o apê. Estava lá, chegando feliz com umas comprinhas que tinha feito para a casa. Estava prestes a me mudar de vez. Entrei na cozinha, e quando bati o olho na pia estava ela lá, se achando, dominando o pedaço. A barata que invadiu o apê. A barata cara de pau. Sem vergonha, sem cerimônia. Desfilando suas patas asquerosas pelo mármore da minha pia, a la Gisele.
Dei um salto para trás, como sempre quando vejo uma cucaracha. Sozinha, olhei para um lado, para o outro. Sem spray, sem Baygon. Sem chinelos para jogar nela. Sem armas, indefesa, sem ninguém para ajudar: era essa a minha situação.
E a barata, dominadora e poderosa, continuava lá, pegando um geladinho no mármore, curtindo uma.
Joguei água nela. Ideia brilhante. Se não pudessem com água, o que estariam fazendo as irmãs delas nos esgotos da vida? Burra, eu. Pois é.
Depois de jogar água, obviamente a bichinha fedida andou. Correu. Para um canto em que não a via mais. Mas sabia que ela estava lá.
Fechei a porta como quem estivesse fechando a porta do quarto de um bebê sem querer que ele acordasse. Saí de fininho. E, pasmem: peguei um TÁXI e fui para a CASA DOS MEUS PAIS pedir ajuda - e Baygon - para eles.
Voltei com spray, pai e mãe. Minha mãe foi logo falando: "Minha filha, você que tem que matar, para se acostumar".
Matei. Com vassoura que depois jogamos fora.
Mas quem recolheu a asquerosamente horripilante criatura foi meu pai. Recolheu e jogou fora, porque eu não quis ver.
Só quis ver, e correndo, o rapaz da dedetização. Recomendei que colocasse veneno em cada canto, acompanhei o trabalho, falei que morava sozinha, que era menina, sabe como é, não pode ter barata.
E que permaneçam longe de mim - ou ao menos apareçam já mortos - esses infames e indisciplinados seres desprezíveis e que insistem em nos rodear.
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